A Celebração Eucarística foi presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília, e concelebrada pelos Bispos auxiliares: Dom Antonio de Marcos e Dom Denilson Geraldo, além de numerosos sacerdotes do clero arquidiocesano, com a assistência de diáconos.
A Catedral, completamente cheia, tornou-se sinal visível do que, segundo o Cardeal, foi um verdadeiro ano de graça para o povo de Deus. Logo no início da homilia, Dom Paulo Cezar agradeceu a presença dos fiéis e destacou a força espiritual vivida ao longo do Ano Jubilar.
“Essa Catedral cheia manifesta aquilo que nós sentimos: este foi verdadeiramente um ano de graça. As graças do Ano Jubilar tocaram a vida de cada um de nós, de nossas famílias, de nossas comunidades e da nossa sociedade”, disse.
Inspirado pelo tema do Ano Jubilar, o Arcebispo recordou que os cristãos foram chamados a viver como peregrinos da esperança, especialmente em um mundo marcado por crises, violência, ameaças à liberdade, descuido com a vida e com a casa comum. Em sua reflexão, alertou para o risco de uma sociedade que caminha sem esperança, dominada pela cultura do efêmero e do passageiro.
A imagem do peregrino, segundo Dom Paulo, revela a própria condição humana de seres em constante busca. O Cardeal recordou as grandes peregrinações narradas pela Sagrada Escritura, citando Abraão, Moisés, o povo de Israel, Jesus e os primeiros discípulos , e afirmou que a fé cristã é, essencialmente, um caminho. “Quem tem fé, caminha. A fé nos coloca na condição de peregrinos, como Igreja que peregrina rumo ao infinito de Deus”, afirmou o Arcebispo.
Ao meditar o Evangelho do dia, o Dom Paulo destacou a proteção de Deus à Sagrada Família, forçada a fugir para o Egito diante da tirania de Herodes. O Cardeal explicou que a narrativa bíblica revela uma profunda dimensão profética de que a tirania sempre ameaça a vida, a liberdade e a dignidade humana, mas não tem a palavra final.
“Os tiranos se acham donos da lei, da vida e da morte, mas a tirania é sempre ofensa a Deus e ao ser humano. Deus não se vence pela tirania, Ele vence os tiranos”, afirmou. Dom Paulo ressaltou ainda a figura de São José como homem justo, sempre disponível à vontade de Deus, por meio de quem o Senhor conduziu e protegeu o Seu Filho.
“Mesmo em meio às maldades e às vicissitudes da história, Deus realiza o Seu plano. A história da Sagrada Família revela que Deus age concretamente na vida do Seu povo e continua caminhando com a humanidade”, destacou.
Ao longo da homilia, o Cardeal salientou ainda que a esperança cristã não é vazia, mas nasce da certeza de que Deus caminha com o Seu povo, recordando testemunhos de cristãos perseguidos, como no Iraque, onde, mesmo sob ameaças e violência, as igrejas permaneciam cheias, sustentadas pela fé no Cristo vivo.
“O Senhor está presente na vida das nossas famílias. A família é igreja doméstica, comunidade de fé, de amor e de vida. Recordando o ensinamento de São Paulo VI. Segundo ele, é no cotidiano, na Eucaristia, na Palavra, na oração e no cuidado com os mais pobres que Deus continua fazendo história com o Seu povo”, frisou.
Ao encerrar o Ano Jubilar da Esperança, Dom Paulo convidou os fiéis a saírem da Catedral com o coração agradecido e pulsando de esperança. “Que essa grande esperança da fé sustente a nossa vida no dia a dia, diante dos problemas e desafios. A nossa esperança está no Senhor, que morreu e ressuscitou. Ele é a nossa grande esperança”, finalizou o Cardeal.
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